Apresentação de teatro especialmente voltado para o público da terceira idade. De forma acolhedora,entre um café e um biscoitinho,lembramos os "tempos da mocidade", contamos histórias de amor e celebramos a vida. E é com muita alegria que já atingimos um público de mais de 7.000 pessoas, em 90 apresentações em várias unidades da rede SESC, Universidades e Grupos Terceira Idade. Confira as nossas próximas apresentações!
domingo, 1 de setembro de 2013
Nos apresentamos em Bragança Paulista sexta feira, 30 de agosto, com o nosso Postal á Rubem Braga, que fala sobre a relação de amizade do escritor Rubem Braga com o poeta Vinicius de Moraes. Recheada de crônicas divertidas e músicas do Vinicius, a apresentação foi uma delícia, com mais de 300 pessoas na plateia rindo e se emocionando com a gente! Logo logo postamos aqui algumas fotinhos!
terça-feira, 6 de agosto de 2013
os guarda-comidas do tempo da vovó!
Nos guarda-comidas das casas das tias nos sítios e nas fazendas, se escondiam biscoitos para meses, bolos mármore, doces de leite de cortar e um doce muito delicado e difícil de ser feito: quindins bem amarelinhos...
domingo, 28 de julho de 2013
Agora estamos no Facebook
E estamos fazendo postagens diárias, que também serão colocadas aqui e que farão com que vocês lembrem um pouquinho dos tempos da infância e da juventude! A primeira foto, é dos tempos do chá no Mappin, sim, diretamente de lá, do salão de chã do Mappin, cujas mesas eram disputadas por senhoras enchapeladas, normalistas da República e do Álvares Penteado, belas moças da Escola de Bailado da Prefeitura e professoras que ali iam comemorar seus aniversários de formatura.
A foto abaixo é de um anúncio de 1956: Juscelino Kubitschek era o presidente, Cauby cantava Conceição e a fábrica de soutiens Mourisco anunciava os soutiens Oasis, "para você ter um busto incomparável"
segunda-feira, 22 de julho de 2013
DRAMATURGIA DA MEMÓRIA
Novos postais sendo enviados
Agora em agosto, nós apresentaremos "Um postal à Rubem Braga" em dois lugares. Esperamos que possam ir nos ver!
Sesc Santo André - dia 15/08/2013 às 18 horas
Casa de Cultura de Bragança - dia 30/08/2013 - às 20 horas
Sesc Santo André - dia 15/08/2013 às 18 horas
Casa de Cultura de Bragança - dia 30/08/2013 - às 20 horas
sexta-feira, 1 de março de 2013
Da Paixão
Este texto que está na nossa apresentação "Café com biscoitos e estórias do tempo", é inspirado em "Valsinha", música de Vinicius de Moraes e Chico Buarque. Se pudesse, colocava o Ricardo tocando a Valsinha enquanto cada um de vocês lê o texto!
No começo, ela tirava o vestido do armário uma
vez por semana. Examinava com muito zelo. Não podia ter nenhuma mancha de mofo
ou algo parecido naquele vestido de cetim rosa antigo, muito decotado! Se
estivesse cheirando a guardado – relavava, repassava e
reengomava.
E o vestido voltava para o armário.
No
começo ele ficava bem à sua vista. Fora comprado para ser usado e não podia
ficar no fundo do armário, como os trapos velhos de usar em casa.
Com o passar do tempo, o vestido especial que
esperava um convite foi indo cada vez mais para sua direita, dando lugar às
peças novas de usar no dia a dia até chegar, sem nunca ter tido a sua estréia,
ao lado das roupas velhas e não mais usadas. O vestido começava formar pequenos
vincos, assim como o rosto da mulher, que cada vez menos se importava em cuidar
da espera.
O
vestido. Os vincos. Os silêncios.
Às
vezes ela sentia muita vontade de romper com aquele silêncio que lhe era
insuportável e falar. Mas falar o quê? Para quem? Ele nuca falava. Não, minto!
Muitas vezes ele abria a boca: para reclamar, para maldizer a vida, sempre
bravo, sempre neurastênico.
O silêncio e a braveza sempre foram os
companheiros daquela casa. E ela achava que a vida era assim mesmo. E toca para
frente. Sem música, por que música também não se ouvia naquela casa.
Mas um dia...
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito
de sempre chegar!
Quieto como sempre, mas sem a braveza
costumeira, sem lista de reclamações e pequenas raivas diárias. A mulher não
entendeu. Mas também não perguntou. Estava desconcertada demais com o jeito com
que ele olhava para ela. Ela sequer se lembrava deste tipo de olhar, não sabia
se era bom ou ruim – não sabia se haveria uma explosão ou uma calmaria. Ele continuou
a olhá-la. A mulher se sentiu intimidada, depois sem nenhum controle, seus
olhos desceram para o chão, tão tímida ficou e em seguida se sentiu lisonjeada
por que achou que aquela maneira de olhar, que ela nunca tinha visto... Ah! O
modo como ele estava olhando para ela era um jeito muito, muito mais quente do
que ele sempre costumava olhar...
O homem, que costumava ignorar a presença da mulher, naquele dia não
a deixou sozinha nem um minutinho, e assim, de repente, de uma hora para outra,
sem que ela pudesse jamais esperar... ele convidou-a para rodar.
Um mundo de pensamentos passou por sua
cabeça: Por que será que depois de tanto tempo? O que vestir, meu Deus? Será
possível que ele esteja mudando? Sapatos altos ou baixos? Meu Deus, que ele
esteja mudando! Meias finas? Será que ele ainda...
E desta maneira atabalhoada, foi que ela se
colocou bonita para o homem!
Procurou o vestido especial, que a esta
altura já estava na parede do armário. Sim cheirava a guardado, mas não daria
tempo de lavar, então, paciência! Amarrou a fita de gorgurão na cintura, que já
não era mais a mesma, mas ainda assim fina, e o decote assentou bem, embora
parecesse menos ousado do que na época em que comprou o vestido.
Estava se sentindo mui linda.
Quando abriram a porta da frente o homem
estava de braços dados com a mulher. Não se usava mais dar os braços daquela
maneira, mas ele não percebeu e ela não se importou.
Em
frente à casa havia uma praça. O casal andou até lá. Com muita ternura o homem
abraçou a mulher. E começaram a se lembrar dos primeiros passos da primeira
valsa que dançaram juntos. Firmes estavam, seguros dançavam. Um nos braços do
outro valsaram, a princípio vagarosamente, depois mais rápido, mais rápido e
mais rápido. E giraram, giraram, giraram, giraram... e dançaram tanta dança que
a vizinhança toda despertou. E a felicidade era tanta que toda a cidade se
iluminou. E holofotes da cidade desperta iluminaram o rosto da mulher.
O homem olhou a mulher assim, iluminada,
corada de tanto rodar, e teve fome. Muita fome.
A mulher, que nunca tinha preparado nada além de caldos e insossos
pratos de cozido, desejou oferecer suas melhores iguarias. O homem então
experimentou suas sobrancelhas. E cada um dos olhos da mulher se fechou. Ele
beijou seus cílios e a ponta do nariz e o queixo...A mulher ofereceu seu
pescoço seu colo, seus ombros. A dobra dos braços os cotovelos. E o homem
beijou as palmas de suas mãos e os meios dos dedos e as unhas. Beijou suas
costelas, suas ancas, cada vértebra de sua coluna. Recheou sua nuca, o meio dos
seios, a barriga. Untou suas coxas, a dobra das pernas, mordeu sua batata,
salpicou seu tornozelo. O homem se deliciou com redondos joelhos, umbigos e
auréolas. Beijou seus dentes e suas gengivas.
E
foram tantos os beijos loucos, tanto os gritos roucos como não se ouvia mais .
Que o mundo inteiro compreendeu e o dia amanheceu em paz.
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